sexta-feira, 4 de agosto de 2017

UMA JANELA PARA O PASSADO









De repente rompe e me invade o peito,
Uma vontade intensa de reviver o eito,
Uma palavra que não sai, uma lágrima que cai,
Uma dor que atrai, desconcerta, aperta, vem e vai.
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Uma forte saudade me arranca do chão marcado,
Me leva aos dias fluentes do meu universo encantado.
Onde eu experimentava o orvalho fresco na relva molhada,
Caminhando descalço nas trilhas das campinas enfeitadas.
,
Dias de lutas febris, não faltaram, na contagem dos tempos idos,
E entre uma e outra batalha, aliviavam, as flores coloridas,
A densidade marcante da peleja, que virava festa rotineira,
Na vida de um sonhador, afeito ao embate da rota altaneira.
.
As palavras fervem na minha língua ansiosa,
Cenas de outrora se multiplicam na minha mente agora,
E me recolhem ao meu Mundo enfeitado e distante,
Para onde eu viajo sempre, feito um andarilho errante.
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Na minha viagem de volta, revivo as cenas mais belas,
Relembro na noite escura o uivar do lobo faminto,
Na caça ao canário da terra, aquela gaiola quebrada,
Que me fez libertar de vez a liberdade tomada.
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Na festa da Cana-Caiana, o doce sabor sem igual,
Que domina e encanta ao falante e garboso poeta,
ao projetar na planta mais doce, o amor proibido,
Que inflama no sussurrar caprichoso do galante destemido.
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E o que falar do generoso e farto Jaboticabal,
Que encerra na fruta mais doce, e saborosa,
O olhar noturno da mais linda e exótica morena,
Com seus negros faróis, brilhando e roubando a cena.
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Nos ramos aveludados, negros da cor da noite,
De um bosque encantado, de olhos arregalados,
Das bandas do norte ardente, distante procedente,
Encosta na minha beira e deixa meu peito dormente.
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E no arvoredo da porta, ouço o cantar tristonho,
Da Sabiá laranjeira, que busca fazer seu ninho.
Na encosta da ribanceira, na grota da corredeira,
De águas cristalinas, onde bebem os passarinhos.
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No cheiro da terra molhada que perfuma meu coração,
Encontro o aroma perfeito que me leva na direção,
De tudo que eu mais amei, no endereço que te encontrei,
Do meu passado te trouxe comigo e nunca mais te deixei.

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sexta-feira, 16 de junho de 2017

FRAGMENTOS DO PASSADO







Pedaços de um pensamento que prendem
Fragmentos da noite escura que atordoam, 
Negros faróis, brilham na escuridão e acendem,
A chama que clareia e aciona o sinal da proa.
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O doce sabor da fruta se mistura, na ilusão,
Que emplaca aventuras de um denso coração,
A polpa clara orbita atraindo as atenções,
A colheita fica farta e não cabe na minha mão.
.
A Lua bela e apaixonante, se acomoda paciente,
Se rende a um escuro inebriante, por alguns instantes,
Compreende a força da mente, enquanto aprende,
Que a claridade, as vezes dispersa o sono da gente.
.
Lindas e exuberantes cascatas, me causam insônia,
Fragmentos de água pura, refrescam minha face nua,
Sou escoltado por estrelas cintilantes aos reclames da lua,
E me encanto com a Flor-Rainha, que projeta a imagem tua.
.
O ambiente florido e caloroso na cor da neve se deleita,
Mãos que afagam, coração que transborda no sorriso inocente,
Fragmentos da noite densa que fazem morada na mente,
E uma curiosa lembrança, tardia que deixa o peito dormente.



segunda-feira, 6 de março de 2017

FACES DO AMOR







No amor não se conta nem se desconta,
Se aprimora, se espanta e se encanta,
Se chora se apavora e se encontra,
Se aquece, não esquece e nem apronta.
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Não foge nunca, sofre e acalenta,
Suporta, reage, luta e enfrenta,
Age, faz campanha e aguenta,
Não desanima, vibra e não lamenta.
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Na beleza da flor, se vê a essência,
Se encanta com a cor, examina a aparência,
Se demora no colorido do sorriso escondido,
Se enlouquece no enigma do olhar perdido.
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Oferece o braço, o abraço, o colo e o consolo,
Ouve paciente a voz que sente o peito dormente,
Enxuga as lágrimas que na face triste espalha,
Só joga a toalha se no peito, o coração encalha.
.
Caminha junto, estende as mãos, rompe o desafio,
Não se alimenta, para alimentar, o "eu" desiste,
Se aflige com a lágrima que cai da face triste,
A vaidade definha, o bem estar alheio, vira mania.
.
Não compara, abre mão e se prepara,
Para levar abrigo a quem está em perigo,
Oferece o ombro, e o coração dispara,
Ao rever o sorriso, que andava perdido.
.
Não obriga, aceita e até concorda,
Absorve a dor, que no fundo da alma instala,
Suporta o golpe, da ingratidão que domina,
Administra a pena, que no caminho ensina.
.
Sofre com o destino do amor esquecido,
Se desespera quando não é comprendido,
Recua diante da incompreensão, evita ferir,
Aguenta firme e supera o momento sofrido.