sexta-feira, 30 de agosto de 2013

MORTO POR QUATRO DIAS - ÚLTIMA PARTE



...CONTINUAÇÃO...


2.3.2.2.2 -  Segundo dia de morte espiritual:


O segundo dia da morte espiritual corresponde ao dia em que o pecador começa a colher os frutos de seus projetos malignos, na verdade, é o dia em que ele alcança a maior distância da presença de Deus e se acha mais longe do seu Criador. 
Assim como no primeiro dia, também no segundo o pecador não suporta nem ouvir a palavra Deus e se desvia, evita ou rejeita qualquer direção que o torne à presença do Senhor.
A cegueira espiritual o envolve de forma poderosa,  julga-se dono de si, todos em volta estão errados, ele é o único certo e segue seus projetos de cerviz endurecida como se fosse o maior de todos e o dono do mundo.
Como exemplo podemos nos valer também do Filho Pródigo quando gastava seus recursos com as prostitutas (Lucas 15. 13 e 30) ou ainda podemos nos valer do rico insensato de Lucas 12.19, dizendo: “Alma tens em depósitos muitos bens, para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te”.
Note que esse segundo dia não nos fala necessariamente de riquezas materiais, mas de um estado em que se encontra o espírito do homem que se julga rico espiritual e que não precisa de Deus.
Esse ser humano pode ser um milionário ou alguém que nem mesmo tenha onde morar e viva jogado pelo meio das ruas.
Posso citar ainda como exemplo um fato ocorrido comigo nesses dias, enquanto eu redigia exatamente o tema em destaque. Ao realizar um trabalho de evangelização, encontrei-me com um cidadão que não teve cerimônia em revelar-me seus desencontros. Dizia aquele homem que estava sofrendo muito, que seu estado era de desespero, contudo não aceitava que eu lhe falasse de Jesus em hipótese alguma. Afirmava ele que sabia perfeitamente que Cristo é o único caminho, mas não queria saber dessa direção, que preferia o mundo, a prostituição, as noitadas, etc.
Eis aí mais um caso típico de morte espiritual no segundo dia, pois em tal situação o Senhor não pode se manifestar ao pecador, porque existe de sua parte uma forte decisão de rejeitar a Deus. No seu interior, ele rejeita sistematicamente a presença de Deus. A esses o evangelho nem mesmo pode ser pregado, como nos ensina o Senhor Jesus na passagem em que João Batista envia dois discípulos a indagar os passos do Mestre e recebe a seguinte resposta: “.vai e diz a João: os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho, (Mateus 11.5). Ensino semelhante se acha em Isaías 61.1-3 e 66.2)
O Senhor diz que o evangelho é anunciado aos pobres, mansos, humildes, contritos e não aos ricos. Esses “afortunados” não nos falam absolutamente de riquezas materiais. Na verdade, o ensino exclui aqueles que se julgam ricos espirituais, pois esses sustentam agressivamente e até ameaçam batendo no peito: “Eu não preciso de Deus”, por isso o Senhor não pode se manifestar. Referidas pessoas ridicularizam o evangelho e zombam do Criador daí por que nem mesmo podem ser alcançadas pela pregação das boas novas. Esses “ricos espirituais” vivem a plenitude do segundo dia da morte espiritual.
A esses o Senhor não pode se manifestar porque eles se fecham para Deus. São alvos de bênçãos diariamente e muitas vezes chegam a pronunciar um “graças a Deus”, mas nada querem com o Criador, chegam quem sabe, até mesmo a visitar uma igreja, a convite do cônjuge, de um parente ou de um amigo, porém a mensagem nunca lhes diz absolutamente nada e permanecem distantes como se Deus nem mesmo existisse. 
Esperam desesperadamente que a chuva que a todos é enviada venha irrigar as suas hortas e o Sol que consolida o milagre da vida em todo planeta venha sustentar os seus plantios ou os seus projetos do dia-a-dia, no entanto rejeitam sistematicamente o Criador do Sol e da Chuva. O sentimento egoísta domina o comportamento de tais pessoas, querem tudo para si e nada para o Deus. Daí porque o Senhor permite que sigam seus tortuosos caminhos e não interfere, embora não deixe de socorrê-los, mesmo que não sejam capazes de um agradecimento sincero.
Nesses dois primeiros dias de morte espiritual, o Senhor permite que o pecador ponha em prática o seu plano pecaminoso, avance nessa direção e não interfere para que o tal chegue por si mesmo à conclusão da inutilidade de seu projeto e de sua incapacidade para concretizar positivamente algum feito nobre. Muitos entendem essa verdade e começam logo a tomar o caminho de volta, ingressando no terceiro dia de morte espiritual, mas a grande maioria, jamais se rende e passa a vida inteira, de costas viradas para o Criador.
Isso explica o ensino registrado em João 11.6, quando Jesus aguardou ainda dois dias no lugar onde estava para depois sair ao socorro de Lázaro, pois enquanto não passarem esses dois dias de morte espiritual, ou seja: “enquanto o pecador não cair em si” ou “enquanto não entender que por si mesmo nada pode” o Senhor não pode socorrê-lo e nem a ele se manifestar. É no decorrer desse dia que importantes ensinos sagrados são ministrados, como por exemplo:

“Aquele que, sendo muitas vezes repreendido, endurece a cerviz, será quebrantado de repente sem que haja cura”.
  Provérbios 29.1

“Disse então: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens;”
“e direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te”.
“Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” 
Lucas 12.18-20;

“Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;”
“aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua [nu]dez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas”. Apocalipse 3.17,18

Fato importante deve ser observado: a morte física de qualquer pessoa que partiu deste mundo sem aceitar a Jesus Cristo como único e suficiente Salvador acontece sempre no segundo dia de morte espiritual, pois os tais jamais aceitaram a manifestação do Senhor em suas vidas, a qual ocorre sempre no terceiro dia de morte espiritual, como veremos a seguir. 


2.3.2.2.3 -  Terceiro dia de morte espiritual:


O terceiro dia de morte espiritual é marcado pelo fracasso dos projetos pessoais do pecador. Nesse dia, a frustração e a desventura obrigam o homem a dar meia volta e começar a palmilhar o caminho de volta. A infeliz direção desse caminho teve início no primeiro dia de morte espiritual, contudo agora o aventureiro percebe que subiu alto demais e os instrumentos que possui não o podem sustentar. Então começa a descer, não porque buscasse isso de coração, mas porque a sua incapacidade e incompetência passam a se manifestar.
Os problemas começam a surgirem com freqüência.  As vitórias são escassas e as derrotas estão sempre presentes.  Os amigos se afastam, os recursos acabam, as doenças aparecem.
O homem já não tem tanta certeza ou segurança sobre sua fortaleza e começa perder a confiança no seu Eu, contudo, insiste mesmo caindo aqui e levantando ali, o que só faz acentuar a fragilidade, inconsistência e vulnerabilidade que compõem a sua estrutura. Seus limites vão ficando cada vez mais evidentes fazendo com que ele comece a compreender seu real estado diante de Deus.  
Novamente podemos nos valer do exemplo do Filho Pródigo: após perder todos os seus recursos e se achar alimentando os porcos e se valendo do mesmo alimento para sobreviver, (Lucas 15.14-16).
É nesse dia que o Senhor começa a se manifestar na vida do pecador. O amor e a sabedoria divina detectam o momento mais oportuno e muitas vezes, enquanto o homem caminha disperso, inconformado com infortúnios ocorridos em sua vida, sem que ele menos espere, ao passar em frente uma igreja, ouve uma mensagem: Jesus é a única esperança, ou mesmo no desespero da luta inglória, alguém chega e lhe oferece um folheto ou uma palavra consoladora, apontando que o caminho certo é Jesus,
Apesar disso, o pecador insiste com velhas estratégias ou novas táticas, buscando quase no desespero se auto definir e mostrar que é capaz sim, travando uma forte batalha contra si mesmo.
O orgulho ferido nem sempre permite a rendição instantânea e todos os esforços empreendidos somente vão minando suas forças e impulsionando-o violentamente ladeira abaixo, até que ele se ache absolutamente esgotado, humilhado, destruído moralmente, sem recursos de qualquer natureza, muitas vezes endividado ou acometido por moléstias de toda sorte. Por mais que busque ao seu redor, já não encontra nada no mundo material em que possa confiar e o fundo do poço se aproxima rapidamente.
A alma quebrantada e sofrida do pecador castigado por sua própria insensatez já não oferece mais resistência à presença de Deus e, aos poucos, o Senhor vai mostrando que somente Jesus Cristo é o caminho a verdade e a vida, e nesse momento outro ensinamento é oferecido:

“Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor”.
“Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres”.Apocalipse 2.4-5
        
Lembra-te de onde caíste, ou seja: lembra-te do teu primeiro dia de morte espiritual ou de quando pecaste pela primeira vez, ou de quando ingressaste no caminho da morte, deixando o caminho da vida, quando ainda eras apenas uma criança.
De fato, o terceiro dia de morte espiritual tem essa marca importante: o pecador precisa deixar de ser o tal, abandonar a bandeira do orgulho, do “Eu sou”, do “Eu posso”, do “Eu faço”, abdicar de toda maldade, dos maus pensamentos, dos propósitos malignos, de toda sorte de impurezas, e regressar aos dias da indefesa criança, que não guarda rancor, nem se aventura em projetos pessoais, que depende do Criador para tudo, até para o mais simples alimento e aqui o Senhor nos proporciona outro ensino sagrado:

“e disse: Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus”. Mateus 18.3

 Quando esse entendimento começa a entrar na cabeça do homem,  sobretudo quando ele passa a compreender o estado de contaminação e impurezas que adquiriu nos dois dias de aventura em que esteve longe do Senhor, então está prestes a ingressar no quarto dia de morte espiritual.  
O que marca o terceiro dia de morte espiritual é o fato de que o pecador começa a considerar a existência de Deus e a entender que nada no mundo material lhe pode socorrer, permitindo a manifestação crescente do Senhor em sua vida. Muitas vezes o ser humano alcança esse entendimento e toma uma decisão séria de se voltar para Jesus antes mesmo de enfrentar o doloroso caminho da derrota e do fracasso que marca o regresso de muitos.

2.3.2.2.4  - Quarto dia de morte espiritual.

O quarto dia de morte espiritual do pecador ocorre exatamente quando ele entende que nada no mundo material lhe pode socorrer e que a solução presente é e será sempre a ação infalível do Senhor Jesus.
Na maioria das vezes, esse entendimento acontece na vida do pecador quando ele já se encontra no “fundo do poço”, após perder tudo de valor que julgava possuir e ver esgotados todos os seus esforços no sentido de se firmar perante a família, a sociedade e, sobretudo, perante si mesmo.
A essa altura, o pecador já alcançou o ponto que um dia deixou, para seguir o caminho da morte espiritual e voltou a ser como uma singela criança que se entrega totalmente nas mãos do Criador.
Quando essa compreensão acontece e o pecador toma a decisão de se entregar a Jesus, a luz maravilhosa do Senhor brota no seu entendimento de forma espetacular, exatamente como aconteceu com o Filho Pródigo conforme registrado em Lucas 15.17-19.

  Note que o número “4”, representa biblicamente tudo aquilo que é completo na terra.

De fato, o pecador somente se volta para Deus quando se esgotam ou se completam todos os seus esforços no sentido de se auto-afirmar. Nada existe no mundo material que o possa socorrer, em nada mais pode confiar e aí então ele entende que Jesus é a única solução, o único caminho, a única verdade e a vida, e nesse momento toma a importante decisão de receber o Senhor, abre as portas do seu coração para o Filho de Deus e aí acontece o milagre da ressurreição.
Desde então esse homem nunca mais será o mesmo, transformou-se numa nova criatura, terá nojo do pecado e não suportará mais os hábitos da sua velha natureza, buscará intensamente a presença de Deus e não saberá mais viver de outra forma.    


Assim concluímos este estudo, no qual procuramos demonstrar os preciosos ensinamentos de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, revelando-nos toda a sua obra missionária na vida dos três irmãos ( MARTA, MARIA E LÁZARO)..



2 comentários:

António Jesus Batalha disse...


Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho,
Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns,
decerto que virei aqui mais vezes.
Sou António Batalha.
Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar
siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.

Viviane Almeida disse...

Uma benção esse blog amigo, espero que volte logo a escrever mais series que encham tanto o nosso coração.

Viviane Almeida
Administradora do Bíblia em Foco
Blog: http://bibliaf.blogspot.com.br/